Já doeu mais, já senti menos, já custou menos estar longe de
ti. A verdade é que já me foste mais alheio. Eras me indiferente, não queria
saber se me falavas, não queria saber o que dizias, mas sentimentos mudam e as
pessoas mudam com ele.
Não consigo explicar o que sinto, não sei dizer todos os
motivos pelos quais tenho saudades. Os dias que me tentava convencer que não
existia nem saudade nem sentimento, passaram. Agora não nego mais que e fazes falta,
não nego que a tua presença me faz tremer e que a tua respiração me acelera o
coração. Não vou dizer mais que o teu abraço ao me envolver me beijava e que o
teu cheiro ficava guardado na minha roupa como água fica numa esponja. Arrepiava-me
quando me olhavas intensamente nos olhos e que por vezes parecia que me lias os
pensamentos e vias o que sentia. Tornaste-te no eu naquilo que és depois de
todas as brincadeiras, depois das brigas, dos empurrões e das chapadas, sim
porque depois disso, sorrias, sorriamos juntos. Tenho saudades das conversas
que tínhamos ao ir para a praia, conversas longas que só acabavam quando
entravamos no apartamento e me mandavas calar ao mesmo tempo que sentia os teus
braços a rodear-me. Lembro-me de todas as músicas que ouvíamos quando estávamos
juntos, é ridículo mas fazem e fazia sentido.
Tivemos discussões é verdade, mas eram discussões em que acabávamos
juntos, comigo ao teu colo. Talvez até nem te tornas-te tão importante pelo que
dizias, aliás sei que não, sei que és o que és pelos silêncios que fazia sentido,
pelos olhares que descobriam o que palavras ocultavam.