quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Lines

Não nos tocamos. Não existe contacto, a não ser aquele que apenas nós os dois partilhamos. O mesmo que acontece no mais imaculado silêncio que existe.
Consigo sentir-te a tocar-me apenas com o olhar , sem precisar de te olhar nos olhos. E peço-te perfundamente que não o faças mais. Não quero, nem aguento mais. Não quero, porque desespero pelo contacto físcio, quando apenas o nosso psicologico se toca. Não aguento, porque por dentro tento acalmar o frevelhar e segurar as pontas das cordas que quero ligar a ti.
Há olhares que despertam, que chamam, outros que apertam. O teu é faz os três em simultâneo. Mas será que na profunidade do teu olhar consegues ouvir os gritos oprimidos que te sussuro, todos os dias , vezes sem conta? Dizem que duas linhas não se tocam por acaso. E linhas que não se tocam mas comunicam ? São o que? Eles lá sabem o que dizem. São doidos quando dizem que não me consegues cativar e manter sem me tocar. Que eu não te consigo ver por dentro sem te falar.
Falam de utopia sem saber o signficado de amor.

sábado, 20 de junho de 2015

Lil Queen B

Há coisas e pessoas , que por mais ciências que haja , ninguém , mas mesmo ninguém consegue explicar.
Tu és essa pessoa, tu és a pessoa que não consigo explicar. Atrais em ti uma força e uma energia positiva que ninguém pode explicar , muito menos eu , na condição de pessoa comum. Tu , nesse corpo pequeno e aparentemente , e só e apenas aparentemente , frágil , transportas uma alegria de viver imensa. Há uma questão que quero colocar, é como é que o teu pequeno corpo consegue carregar tamanha bondade. Já não me questiono como é que esse mesmo corpo suporta outras coisas,(que para muitos é uma atrocidade enorme e para ti , talvez , apenas banal ) porque sei , que tu , nesse corpo vulnerável aguentas mais do que aquilo que a ciência alguma conseguirá explicar. Em ti brilha uma luz, que te faz lutar contra sombras escuras , que assustariam qualquer adulto só pelo tamanho das mesmas. E acredito , sem espaço de dúvidas algumas, que enquanto estas a lutar contra essas sombras, inspiras , mesmo que muitas vezes inconscientemente pessoas.
Para mim, esse é o teu maior dom e simultaneamente o mais inexplicável: inspirar pessoas enquanto talvez sejas tu a precisar de inspirações. Daquelas inspirações que vemos em filmes, das quase inexistentes. Mas acredito também que tu, para ti própria sejas das maiores inspirações que tenhas. Porque para mim já o és , há muito tempo.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Balão

Tão cheio e tão vazio.
Como é possível algo tão antitético e contraditório numa só pessoa? Como é que algo pode estar cheio e simultaneamente tão vazio , ter e não ter algo?
Não sei ... É assim que me descrevo o tudo ou o nada que sinto. Prestes a rebentar, a explodir sem sentir absolutamente nada. Vejo o exterior, aparentemente cheio. Mas o que destinge o cheio do vazio é o interior. E esse sei que se encontra em ruínas , a desmoronar-se de dia para dia. Mas quando parar de ruir, vão ser os fragmentos da mesma que irão ocupar cada parte partida , cada buraco provocado e cada fenda aberta.

sábado, 18 de abril de 2015

Para ti

Para ti, não importa onde estejas nem com quem estejas. Voltei ontem ao sítio onde não devia ter voltado. O suposto era não sentir nada, sentir um vazio e indiferença, mas como é que é possível pedir isso a um mortal comum? Cedi perante tal dificuldade, cedi pelas memórias que outrora foram bocados de nós.

A noite de ontem acordou em mim tudo o que até então estava adormecido. Procurei afastar-me de tudo o que a ti dizia respeito, com a esperança vã que isso fosse a solução do problema, inocente. Mais cedo ou mais tarde sabia que teria de lidar de novo com os sítios que já foram nossos, contigo algures por aí. O meu corpo contrai-se de ansia ao ver-te. Não sei se a contração dele é maior agora que a distância aumentou ou se era quando me tocavas. Não sei até que ponto o arrepio que sinto é maior ao recordar os teus lábios sobre os meus ou se é ver o sítio onde nós nunca deixávamos as luzes se apagarem. A dúvida impera em mim ao não saber se passo mais tempo acordada ao recordar cada traço de ti ou se seria quando íamos sem destino pela estrada noturna. A certeza que prevalece é que a saudade aumenta à medida que nos afastamos. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

(Ir)Racional

Todas as pessoas precisam de algo , nem que esse algo seja só para mostrar a direcção que levará a outro algo.
Por mais racionais que digam que somos, todos nós já perdemos a razão e nos tornamos no ser mais irracional do mundo , naquele exacto momento de raiva , de fúria , naquele instante de incerteza. Quando perdemos a razão é quando somos portadores absolutos dela, donos até... Obviamente que é uma cegueira momentaneamente que nos cega. Jamais temos razão quando a nossa cara espelha fúria e rancor. Muito menos quando esse estado de crença na nossa razão se infiltra nas nossas atitudes e se prolonga até às pontas dos nossos dedos, forçando tudo e todos a agir em prol dos nossos almejos .

sábado, 13 de dezembro de 2014

Porta

Quantas portas já foram necessárias serem fechadas em detrimento da tua segurança ? Quantas outras já fechaste para  te salva guardares?
Todas as portas são feitas para abrir e fechar. Mas há quem tenda a viver com elas entre abertas, sem coragem de as abrir completamente ou fechar de vez. A coragem de bater com elas e por ponto final na situação, leva tempo e mais que tempo lágrimas , para não falar de abrir uma nova porta e deixar uma divisão enorme atrás de nós. Quantas tentativas vãs  tiveste, mesmo, para conseguires fechar a tua ? São precisas palavras, um mundo de palavras , de porta meia fechada e meia aberta , para decidir o que fazer com ela . Mais que uma porta é um muro , de protecção talvez ou então de conforto , por certo algo que te protege, algo que almejas que não desapareça , que fique. É-te indiferente quem entre ou quem saia por ela , o que importa para ti é que não sejas tu a transpor , a barreira que ela se tornou , um obstáculo tão grande , de dimensão incalculável por ti. Tudo por viveres de porta entre aberta

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Essencial ou acessórios

Quanto mais procuramos , menos respostas encontramos. Quanto mais lutamos por ir ao cerno da questão mais nos afastamos dela. É a isto , e apenas a isto , que se resumo tudo , ou talvez nada daquilo que passamos a vida a fazer. A questionar-nos sobre tudo e mais alguma coisa , e no fim de tudo , ao  que chegamos sempre ao ponto de partida , que nada é e nada será.
A despreocupação humana é nula , sei que é , vive-se atarefado demais para despreocupação, mas é na mesma que reside a solução de respostas. É na irracionalidade que vive a razão , por mais descabido que pareça , é nas coisas descabidas que está a verdadeira essência daquilo que preocupamos.
Achamos que é no essencial que nos devemos focar , mas o que era o essencial sem o acessório? Um mero resumo de 'nadas' , de 'quases' , que de nada  nos valiam .