Para ti, não importa onde estejas nem com quem estejas.
Voltei ontem ao sítio onde não devia ter voltado. O suposto era não sentir nada,
sentir um vazio e indiferença, mas como é que é possível pedir isso a um mortal
comum? Cedi perante tal dificuldade, cedi pelas memórias que outrora foram
bocados de nós.
A noite de ontem acordou em mim tudo o que até então estava
adormecido. Procurei afastar-me de tudo o que a ti dizia respeito, com a
esperança vã que isso fosse a solução do problema, inocente. Mais cedo ou mais
tarde sabia que teria de lidar de novo com os sítios que já foram nossos,
contigo algures por aí. O meu corpo contrai-se de ansia ao ver-te. Não sei se a
contração dele é maior agora que a distância aumentou ou se era quando me
tocavas. Não sei até que ponto o arrepio que sinto é maior ao recordar os teus
lábios sobre os meus ou se é ver o sítio onde nós nunca deixávamos as luzes se
apagarem. A dúvida impera em mim ao não saber se passo mais tempo acordada ao
recordar cada traço de ti ou se seria quando íamos sem destino pela estrada noturna.
A certeza que prevalece é que a saudade aumenta à medida que nos afastamos.
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